Medicamentos é a melhor opçao para tratar a ansiedade?

Psicólogos não prescrevem medicação, mas falar sobre o assunto com nossos pacientes faz parte do tratamento. É muito comum que pacientes procurem psicoterapia quando já estão em tratamento medicamentoso e os resultados da medicação são considerados durante o tratamento psicoterápico. Da mesma forma, durante o tratamento psicoterápico ao identificarmos que o paciente pode precisar do uso de medicação encaminhamos para a avaliação de um psiquiatra.

Psicoterapia e medicação têm objetivos diferentes, trabalham em conjunto, complementando um ao outro para um tratamento eficaz do paciente.

Os psicólogos não acreditam em qualidade de vida do paciente que apenas faz uso da medicação sem o tratamento psicoterápico, pois os remédios tratam os sintomas, mas não tratam as causas. Para entender de forma mais simples, é como ter dor de cabeça por causa de problemas de visão, o analgésico trata a dor momentânea, mas não o problema que causa a dor que sempre voltará.

A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores de humor quase dobrou no Brasil nos últimos cinco anos. De acordo com levantamento realizado pela IQVIA, empresa norte-americana de auditoria e pesquisa de mercado farmacêutico, entre julho de 2013 e junho de 2014, o número de vendas de tais medicamentos era de quase 47 milhões de comprimidos, enquanto entre julho de 2017 e junho de 2018 a venda foi de quase 71 milhões.

Estes dados não incluem vendas para hospitais, clínicas ou compras realizadas pelo governo. Esse volume de vendas é referente a medicamentos adquiridos em farmácias e drogarias individualmente. Não tenho dados precisos sobre o aumento da procura por psicoterapia nos últimos cinco anos, apesar de saber que houve crescimento, eu não acredito que acompanhe os índices de crescimento da venda de medicação.

Isso significa que há muita gente usando remédios, sem fazer terapia, ou seja, tratando o sintoma e mantendo a causa. Pessoas que estão tratando a dor temporária e vivendo sob a sombra da dor permanente.

Mais ansiedade, mais depressão e mais medicamentos

Os casos de ansiedade e depressão aumentaram, não seria esse o motivo do aumento da venda de medicamentos? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos dez anos o número de pessoas com depressão aumentou 18,4%. No Brasil, 5,8% dos habitantes sofrem com o problema. As mulheres sofrem mais com a ansiedade: cerca de 7,7% das mulheres são ansiosas e 5,1%, deprimidas. Já entre os homens, o número cai para 3,6% nos dois casos.

O aumento da venda de medicamentos poderia ser justificado pelo aumento do número de casos de transtornos como ansiedade, depressão e doenças associadas, mas muitos especialistas acreditam que boa parte dos casos poderiam ser tratados sem o uso de medicamentos. Em uma entrevista concedida ao portal R7, o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria, afirmou que a psicoterapia pode ser o tratamento adequado para muitos desses casos.

“Houve um aumento de casos, inclusive pelo aumento de população, mas a incidência é a mesma. Muita gente se conscientizou da gravidade dos problemas para a saúde mental e as diretrizes evoluíram bastante. Mas nem todos os diagnósticos estão corretos. Muitos profissionais receitam esses medicamentos para tratar sintomas, mas não uma doença. Vários desses sintomas poderiam ser tratados com mudança de hábitos ou com terapia, por exemplo”, afirmou Silva.

Se você está em busca de medicamentos para tratar os sintomas de ansiedade e depressão procure antes um psicólogo. Um profissional qualificado fará uma avaliação do seu estado emocional e te encaminhará para o melhor tratamento, que pode ser com o suporte da medicação ou não. Lembre-se que todo bom tratamento trata a causa e não apenas os sintomas. Venha fazer sua avaliação.

Posted by Psicóloga Luciana Brasil